Rua Kerr, 11
Terreno de 4,1 m · 5 andares · 2023
Uma janela alta fecha um vão aberto desde 1941. Dois apartamentos, uma escada e uma cobertura que os vizinhos dividem.
A Supporta é um escritório de arquitetura para terrenos com menos de dez metros de frente: o vão entre duas casas, o quintal atrás de uma loja, a esquina que ninguém conseguia usar.
Antes de traçar uma linha, filmamos a rua do terreno do amanhecer à meia-noite e lemos tudo como uma longa exposição: até onde o sol chega, quem passa, que cores os vizinhos usam há décadas. Depois projetamos o prédio que aquele vão estava esperando.
Percorra as fachadas. Cada uma aparece na largura real, num terreno que ficou vazio por décadas.
Terreno de 4,1 m · 5 andares · 2023
Uma janela alta fecha um vão aberto desde 1941. Dois apartamentos, uma escada e uma cobertura que os vizinhos dividem.
Terreno de 6,2 m · 4 andares · 2021
Três varandas avançam sobre uma entrada de carro que ninguém usava, para todo andar pegar o sol da tarde.
Terreno de 7,8 m · 3 andares · 2022
Uma estrutura de madeira no último terreno vazio do cais, recuada para manter a calçada larga.
Terreno de 5,5 m · 2 andares · 2019
Uma casca de concreto dobrado em trinta e oito metros quadrados de esquina: um estúdio em cima, um carro embaixo.
Terreno de 9 m · 4 andares · 2024
Dois apartamentos virados de lado para enxergar além dos vizinhos, revestidos com a madeira do telhado do antigo curtume.
Todos começaram como uma linha no nosso cadastro.
Uma câmera de fenda grava uma linha vertical da rua do amanhecer à meia-noite. Sol, sombra, trânsito e a cor da porta do vizinho acabam numa única imagem comprida. Essa imagem é o nosso briefing.
05h40 · amanhecer
Fixamos uma câmera do outro lado da rua e gravamos uma única linha vertical do terreno até a meia-noite.
12h10 · meio-dia
A imagem mostra onde o sol bate no chão, quanto tempo a sombra fica e quem usa a calçada em cada hora.
19h30 · entardecer
Desenhamos o prédio com as alturas e as cores da própria rua, e devolvemos o sol às janelas que o perderam.
23h55 · meia-noite
Obra pequena pede equipe pequena: um empreiteiro, etapas curtas e uma rua que continua aberta enquanto trabalhamos.
Uma lista pública de todos os terrenos com menos de dez metros de frente que medimos na cidade. Se você é dono de um, ou mora ao lado, ele talvez já esteja aqui.
Cadastrar um terreno| Terreno | Largura | Profundidade | Face | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Fundos da Rua Cooper, 3 | 3.6 m | 22 m | Norte | Mapeado |
| Entre os números 18 e 20 da Rua da Represa | 4.8 m | 31 m | Sudoeste | Dono contatado |
| Antiga subestação, Rua Hale | 6.1 m | 12 m | Leste | Em projeto |
| Quintal da Travessa União, 7 | 5.2 m | 9 m | Sul | Mapeado |
| Fim da Vila Granada | 8.4 m | 15 m | Oeste | Dono contatado |
| Travessa do Mercado, 40A | 3.1 m | 27 m | Nordeste | Em projeto |
| Lava-rápido, Rua do Riacho | 9.6 m | 18 m | Sul | Mapeado |
| Rua da Corda, 9 | 2.9 m | 21 m | Oeste | Construído |
Atualizado todo mês a partir das nossas gravações. Os terrenos aparecem com a autorização dos donos, e os limites exatos são enviados sob pedido.
Nunca escolhemos cor em catálogo. Cada prédio tira as cores da rua onde fica, medidas na gravação de um dia inteiro.
O reboco do número 7, pintado em 1932 e repintado da mesma cor quatro vezes desde então.
Rua da Corda, 9, térreo
O tijolo queimado do armazém vizinho, reproduzido num azulejo esmaltado.
Cais 27, caixilho
Uma porta pintada em 1958, o único verde da rua.
Rua da Represa, 18, escada
A cal clara do sobrado, medida ao meio-dia, quando parece mais quente.
Rua Kerr, 11, fachada
O antigo abrigo do bonde na esquina, hoje ponto de ônibus e ainda deste azul.
Travessa do Mercado, 4, varandas
A última linha de cada gravação, quando os postes são a única cor que sobra.
Todos os prédios, portas e guarda-corpos
“Eles filmaram a minha loja o dia inteiro e depois perguntaram de que cor eu pintaria se pudesse. A casa ao lado agora é dessa cor.”
“Eu esperava dois anos de andaime. Levou sete meses, e a calçada não foi fechada nenhuma vez.”
“O vão atrás do nosso quintal foi mato por quarenta anos. Agora tem uma escada e duas crianças que acenam de lá.”
Um terreno de 2,9 metros entre uma garagem e uma gráfica. Sete andares, uma escada e um prédio que por dentro é mais largo do que parece.
Cobertura
Floreiras entre os brises de madeira, uma mesa para seis e a melhor vista do rio na rua.
6º andar
O quarto fica para o leste, e os brises fazem sombra a partir das nove da manhã.
5º andar
Dois quartos e um banheiro sob uma claraboia que atravessa todo o comprimento do terreno.
4º andar
Cozinha para a rua, sala para o quintal e uma escada que também é estante.
3º andar
Vinte e oito metros quadrados com um banco na janela alinhado aos brises.
2º andar
A mesma planta do andar de cima, alugada por um valor fixo a alguém que trabalha na rua.
Térreo
A porta da antiga garagem manteve o tamanho: uma oficina que abre direto para a calçada.
Mantemos o escritório pequeno de propósito: cada terreno é projetado por quem andou nele.
Otávio MartinsFundador, arquiteto
Ana OliveiraArquiteta, gravações e obra
Léo VargasArquiteto, estrutura
Mariana LimaCoordenadora de projeto, aprovações
João PaivaMaquetista
As respostas curtas. As longas a gente dá na calçada, em frente ao seu terreno.
Já construímos em 2,9 metros. Abaixo de uns 2,4 metros, escada e cômodo não cabem lado a lado, então olhamos para o terreno de trás ou para cima.
Nada. Andamos pelo terreno com você e explicamos o que a legislação permite. Só depois fazemos o orçamento da gravação e do estudo de viabilidade.
A maioria dos nossos prédios fica a até uma hora do escritório, porque queremos estar na obra toda semana. Aceitamos um terreno mais distante por ano.
De donos particulares, da prefeitura e de duas associações de moradia. Só incluímos um terreno com a autorização do dono e nunca repassamos os dados dele.
Cerca de dois anos: três meses de gravação e projeto, nove a doze meses de aprovação e depois sete a dez meses de obra.